domingo, 15 de julho de 2007

Os dois lados na mesma moeda

Está chovendo flores, gritou a menina. A mãe olhava para o céu e pensava: "Melhor entrarmos, vem tempestade das boas por aí". Na sua ingenuidade pueril, a criança não percebia o motivo que levava as flores a cairem. A beleza da cena tinha mais importância do que a ventania anunciante da chuva.

A vida faz isso com a gente. Crescemos. E os detalhes, o mundo mágico infantil são esquecidos, são substituídos pelo concreto, pelos compromissos de adulto. A vida faz isso com a gente ou a gente faz isso com a vida?A realidade nos obriga a parar de sonhar ou somos nós que consideramos não ter mais tempo?

Vinte quatro horas, oito passadas no trabalho, umas seis dormindo, sobram dez horas. Como distribui-las? Ou melhor como estamos fazendo isso? Planejar a vida de adulto... Carreira, decisões a serem tomadas, por mais que tudo possa parecer chato, a programação nos permite seguir em frente. Não somos mais crianças e não temos quem decida a hora que devemos entrar, nos popando das tempestades da vida. Porém, o concreto, as necessidades cotidianas não podem se transformar nos vilões de nossa história, não podem ser responsáveis por consumir todo o nosso tempo, impedindo que vivamos os detalhes. "Depende de nós, que já foi ou ainda é criança, que acredita ou tem esperança..."